sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Impacto da remoção de serapilheira e top soil de floresta nativa para uso na restauração é tema de pesquisa do LARF



Uma das técnicas de nucleação mais utilizadas na restauração ecológica é a transposição da serapilheira e do top soil de florestas nativas para áreas degradadas.

Vários projetos do LARF-UFV em empresas de mineração têm comprovado a eficácia desta técnica em promover uma rápida cobertura do solo e em desencadear o processo de sucessão através da germinação de sementes presentes no banco de sementes do solo.

Contudo, esta técnica de nucleação tem sido sempre recomendada para áreas em que o licenciamento ambiental autorizou a supressão da vegetação, visando aproveitar o banco de sementes que seria perdido. Uma vez que tem sido amplamente discutido se a remoção da serapilheira e do top soil de florestas nativas possa gerar impactos negativos nestes ecossistemas, embora até então ainda não existissem estudos publicados sobre este tema.

Buscando responder estas questões, o trabalho de conclusão de curso (TCC) da bolsista de PROBIC/FAPEMIG Thaís Diniz, sob orientação do prof. Sebastião Venâncio Martins, avaliou o impacto da remoção da serapilheira e do top soil no estrato de regeneração natural no sub-bosque de Floresta Estacional Semidecidual secundária, no campus da UFV de Viçosa, MG. Participaram da banca, além do prof. Venâncio, o Dr. Aurino Miranda Neto e a doutoranda Kelly de Almeida Silva.

O estudo comparou diferentes tamanhos de faixas (parcelas) de retirada da serapilheira/top soil (2x1 m, 4x1 m, 8x1 m) na floresta. Com base nos resultados obtidos conclui-se que a remoção da serapilheira/ top soil causou apenas impacto inicial no estrato de regeneração natural da Floresta Estacional Semidecidual, mais precisamente no número de indivíduos e no número de espécies. A tendência observada é que com o passar do tempo, poucos meses, este impacto tende a ser reduzido até o ponto em que a condição da regeneração natural se iguale aquela pré-remoção da serapilheira e top soil. Para o impacto na remoção da serapilheira e do top soil ser mínimo e rapidamente revertido, as parcelas de retirada devem ser pequenas e espaçadas e a camada de solo removido em pequena profundidade, preferencialmente de 5,0 cm.

Cabe destacar que por se tratar de florestas nativas, a remoção de serapilheira e do top soil para uso em projetos de restauração ecológica deve ser realizada fora de Áreas de Preservação Permanente, preferencialmente em áreas de Reserva Legal, e sempre com autorização do órgão ambiental competente.

Nas fotos a banca da defesa de Thaís Diniz, uma das parcelas um dia após a remoção da serapilheira/top soil, parcelas 6 meses após a remoção e uma área restaurada pelo LARF através da transposição de serapilheira/ top soil.

Da esquerda para direita: Aurino Miranda Neto, prof. Sebastião Venâncio (Orientador), Thaís Diniz (bolsita Probic/Fapemig) e Kelly Almeida Silva

Parcela um dia após a remoção da serapilheira/top soil


Parcelas 6 meses após a remoção da serapilheira/top soil

Nucleação através da transposição de serapilheira/ top soil, projeto LARF-UFV

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Coordenador do LARF participa de Simpósio na Universidade do Algarve, em Faro, Portugal



No período de 04 a 06 de novembro de 2015 o prof. Sebastião Venâncio Martins, coordenador do LARF-UFV, esteve em viagem a Faro, Portugal, onde participou do I Simpósio Ibero-Afro-Americano de Riscos e I Seminário da Rede de Incendios-Solo, quando apresentou os trabalhos “Mapeamento das Ocorrências de Incêndios em Vegetação na Cidade de Juiz de Fora, MG, Sudeste do Brasil” e “Uso de Sistemas de Informações Geográficas no Mapeamento de Incêndios Florestais no Sudeste do Brasil”.

Os dois trabalhos apresentados fazem parte da pesquisa de Pós-doutorado em Ciência Florestal pela UFV do prof. Fillipe Tamiozzo Pereira Torres, sob orientação do prof. Sebastião Venâncio.

Os estudos foram realizados nas cidades de Juiz de Fora e Ubá, na Zona da Mata mineira, e mostraram a importância e viabilidade de se fazer o mapeamento dos riscos de incêndios em vegetação através de ferramentas como o SIG e utilizando dados de ocorrências de incêndios em períodos superiores há dois anos. Assim, foi possível gerar mapas com identificação de bairros, orientações de vertentes, tipo de vegetação, entre outras características dos dois municípios que são mais suscetíveis à ocorrência de incêndios.

Estudos como estes podem ser aplicados a outros municípios, empresas de reflorestamento etc. e auxiliam nas tomadas de decisões para o monitoramento de riscos de incêndios em vegetação nativa ou plantada, visando sua prevenção e combate mais eficiente.
Nas fotos momentos do evento e do campus da Universidade do Algarve, Faro, Portugal.